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terça-feira, 14 de julho de 2026

📚Emília Ferreiro

Emília Ferreiro: quem foi e como revolucionou a alfabetização.


Emília Ferreiro: a pesquisadora que transformou a forma de compreender a alfabetização

Quando o assunto é alfabetização, um dos nomes mais importantes da Educação é Emília Ferreiro (1937–2023). Psicóloga e pesquisadora argentina, ela revolucionou os estudos sobre a aprendizagem da leitura e da escrita ao demonstrar que as crianças constroem conhecimentos sobre a língua escrita antes mesmo de serem alfabetizadas formalmente.

Suas pesquisas influenciaram profundamente a educação em diversos países, especialmente no Brasil, tornando-se referência para professores da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental.

Quem foi Emília Ferreiro?

Emília Beatriz María Ferreiro Schavi nasceu em 5 de maio de 1937, em Buenos Aires, Argentina.

Formou-se em Psicologia e realizou seu doutorado na Universidade de Genebra, sob orientação do renomado pesquisador Jean Piaget. Inspirada pelos estudos do desenvolvimento cognitivo, passou a investigar como as crianças aprendem a ler e escrever.

Ao longo de sua carreira, desenvolveu pesquisas inovadoras que deram origem à Psicogênese da Língua Escrita, transformando a maneira como educadores compreendem o processo de alfabetização.

O que é a Psicogênese da Língua Escrita?

A principal contribuição de Emília Ferreiro foi demonstrar que a criança não aprende a escrever apenas copiando letras ou memorizando sílabas.

Ela constrói hipóteses sobre o funcionamento da escrita, experimenta diferentes formas de registrar palavras e reorganiza seus conhecimentos conforme interage com textos e situações reais de leitura e escrita.

Assim, a alfabetização é entendida como um processo de construção do conhecimento.

Os níveis de escrita segundo Emília Ferreiro

Durante suas pesquisas, Emília Ferreiro identificou diferentes níveis pelos quais as crianças costumam passar no processo de alfabetização.

1. Nível Pré-Silábico

A criança ainda não compreende que a escrita representa os sons da fala. Utiliza desenhos, rabiscos, letras aleatórias ou sequências de caracteres para escrever.

2. Nível Silábico

A criança percebe que existe relação entre fala e escrita e passa a representar cada sílaba utilizando uma letra ou outro símbolo.

3. Nível Silábico-Alfabético

Nesta fase, a criança começa a combinar estratégias, escrevendo algumas sílabas completas e outras parcialmente, aproximando-se da escrita convencional.

4. Nível Alfabético

A criança compreende o funcionamento do sistema alfabético e consegue representar os sons das palavras de maneira cada vez mais correta, avançando no domínio da leitura e da escrita.

O papel do professor

Na perspectiva de Emília Ferreiro, o professor atua como mediador da aprendizagem.

Seu papel consiste em:
- observar as hipóteses elaboradas pelas crianças;
- propor desafios adequados ao nível de desenvolvimento de cada aluno;
- incentivar a leitura e a escrita em situações reais;
- valorizar os avanços individuais;
- promover um ambiente alfabetizador rico em textos.

O erro é entendido como parte natural do processo de aprendizagem e uma oportunidade para compreender como a criança está pensando.

A importância do ambiente alfabetizador

Emília Ferreiro defendia que as crianças precisam conviver diariamente com diferentes portadores de texto, como:
- livros;
- histórias;
- revistas;
- jornais;
- listas;
- cartazes;
- embalagens;
- bilhetes;
- calendários;
- receitas.

Quanto maior o contato com a linguagem escrita, maiores são as oportunidades de construir conhecimentos sobre sua função e funcionamento.

As contribuições de Emília Ferreiro para a Educação

Entre suas principais contribuições destacam-se:
- transformação da compreensão sobre a alfabetização;
- valorização das hipóteses das crianças;
- reconhecimento da aprendizagem como construção ativa;
- incentivo à leitura e à escrita em situações significativas;
- fortalecimento das práticas de letramento;
- influência na formação de professores em diversos países.

Como aplicar as ideias de Emília Ferreiro na sala de aula?

As pesquisas de Emília Ferreiro podem ser colocadas em prática por meio de atividades como:
- leitura diária de livros;
- produção de listas e bilhetes;
- escrita espontânea;
- rodas de leitura;
- jogos com palavras;
- exploração de diferentes gêneros textuais;
- projetos de leitura e escrita;
- atividades que respeitem as hipóteses de escrita dos estudantes.

Essas estratégias tornam a alfabetização mais significativa e favorecem o desenvolvimento da autonomia.

Frases de Emília Ferreiro

Algumas ideias associadas ao pensamento de Emília Ferreiro continuam inspirando educadores:

"A criança pensa sobre a escrita muito antes de aprender a escrever convencionalmente."

"Aprender a ler e escrever é um processo de construção do conhecimento."

Essas reflexões reforçam que a alfabetização acontece por meio da participação ativa da criança e da interação com a linguagem escrita.

A importância de Emília Ferreiro na educação atual

As pesquisas de Emília Ferreiro permanecem extremamente relevantes para a alfabetização contemporânea.

Seu trabalho contribui para que professores compreendam melhor as hipóteses de escrita das crianças e organizem práticas pedagógicas que respeitem o ritmo e o desenvolvimento de cada estudante.

Suas ideias também reforçam a importância do letramento e do uso social da leitura e da escrita.

Conclusão

Emília Ferreiro deixou um legado que transformou a alfabetização em diversos países. Suas pesquisas demonstraram que aprender a ler e escrever é um processo ativo, no qual a criança formula hipóteses, experimenta, reflete e reconstrói conhecimentos.

Ao valorizar o pensamento infantil e o papel do professor como mediador, Emília Ferreiro contribuiu para uma educação mais significativa, respeitosa e centrada no desenvolvimento da criança.

Conhecer suas ideias é essencial para professores, estudantes e todos aqueles que acreditam que a alfabetização deve promover autonomia, compreensão e o prazer pela leitura e pela escrita.